GLOSSÁRIO DE TERMOS  DE ESCALADA EM ROCHA

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Rev.1-2, 29 de agosto de 2019

aderência.  Lance no qual o escalador precisa subir usando apenas a aderência de sua bota com a pedra e seu equilíbrio, não havendo agarras onde se segurar e nem para apoiar os pés. Parede ou lance liso. Ing. friction.

agarra.  Ressalto, reentrância, fenda, qualquer forma na pedra que a torne diferente de uma pedra lisa, e onde se possa apoiar os dedos da mão para ajudar a elevar o corpo para uma nova posição. Ing. hold.

aparelho oito.  Dispositivo de freio da corda que passa pelo seu interior fazendo curvas; quando há tensão a corda é bloqueada, quando a tensão é liberada, a corda é deixada passar. Usado como freio para rapelar e possivelmente como dispositivo de asseguramento de um parceiro de cordada.

ascensor.  Aparelho que permite subir por uma corda pendurada de cima.

assegurador.  Escalador que controla a segurança do parceiro e, com a ajuda de algum sistema de ação por atrito, bloqueia a corda em caso de queda do parceiro. Ing. belayer.

asseguramento.  Ação de assegurar. Ing. belay.

assegurar. Executar o asseguramento de um outro escalador, normalmente de sua própria cordada. Ing. to belay.

ATC.  Dispositivo de bloqueio de uma corda passando por dentro dele; quando há tensão a corda é bloqueada, quando a tensão é liberada, a corda é deixada passar. Usado como freio para rapelar e como dispositivo de asseguramento de um parceiro de cordada. Suas iniciais vêm de “Air Traffic Control”, uma bem humorada referência da Black Diamond, empresa americana que criou esse tipo de dispositivo pela primeira vez. Como já ocorreu no passado, o ATC se tornou tão famoso que os escaladores passaram a designar todo aparelho desse tipo, mesmo os fabricados por outras empresas de ATC. Ing. ATC.

baudrier.  Cadeirinha. Palavra originária do francês, utilizada por muito tempo pelos escaladores brasileiros para designar o cinto de segurança dos escaladores. Vem caindo de uso no Brasil com a introdução do termo cadeirinha. Também usada em sua forma aportuguesada ‘bodriê’. Ing. harness.

bodriê. V. baudrier.

bouldering.  Palavra nunca traduzida. Fazer lances em pedras pequenas (de 3m a 10m), usadas como treinamento e mais frequentemente pelos adeptos da escalada esportiva.

 

bota de escalada. Ver bota.

bota.  Sapato especial usado pelos escaladores para escalar montanhas. Há uma infinidade de modelos diferentes. Os escaladores de rocha usam uma bota semelhante a um tênis, mas com menos material do que um, de sola mais fina, que se amolda ao pé e tem extrema aderência com a rocha. Esse tipo é também chamado de 'sapatilha', embora tecnicamente uma sapatilha não tenha cobertura superior e nem cano (que cobre o tornozelo) de bota. Existem algumas botas que se assemelham a sapatilhas, sem cano, mas não são as preferidas dos escaladores de rocha, que são as com cano e portanto, botas. Ing. climbing shoes.

cadeirinha.  V. baudrier ou bodriê. Ing. harness.

capacete.  O capacete de escalada é um capacete leve, arejado e muito resistente a choques de cima, como uma pedra caindo para proteger a cabeça do escalador, e também em caso de queda deste ao se chocar contra a rocha. Ing. helmet ou climbing helmet.

chaminé. Tipo de escalada na qual existem duas paredes de rocha opostas, e cuja técnica de escalar normalmente é usar as paredes opostas fazendo pressão dos pés contra uma parede e as costas na outra, ou, se muito larga, com uma perna em uma parede e a outra na outra parede. Ing. chimney.

chupar.  Termo que tem caído de uso, gritado pelo segundo de uma cordada da cordada avisando ao líder que ainda há folga na corda, para o assegurador recolher a folga.

corda dinâmica.  Tipo de corda usada na escalada livre tem uma tecnologia de absorção de energia de impacto. A imensa maioria das cordas dinâmicas modernas de escalar, mesmo em quedas fator‑2, não exercem uma força máxima de impacto maior do que 9kN, algumas chegando a ter como força máxima no teste da UIAA 7,4kN. Ing. dynamic rope.

corda dupla.  Corda de  escalar que deve ser usada em dupla, i.e. o líder e o segundo, ambos se encordam em duas pontas, ou o líder no meio de uma corda longa e o segundo nas duas pontas finais. Quem lidera deve evoluir costurando alternadamente. A prática com corda dupla surgiu de acidentes nas Dolomitas, montanhas italianas, com o corte da corda nas bordas e fendas cortantes daquelas rochas quando o líder caia e a corda era cortada nas fendas. Com duas cordas, se uma se partir o líder ainda conta com a outra para lhe segurar. Escalar com corda dupla proporciona manobras não possíveis com uma corda única, e normalmente um rapel mais rápido. Ing. double rope.

corda estática.  Corda usada para ascender abismos ou seções grandes de uma escalada nas quais material pesado precise ser levado por um alpinista para cima. Essas cordas não devem ser usadas para escalada livre, pois exercerão uma força de impacto muito alta em caso de queda do líder. Mais usada pelos cavernistas e espeleólogos. Ing. static rope.

corda gêmea.  Tipo de corda de escalar que deve ser usada de forma dupla, mas diferentemente da corda dupla, ela deve ser costurada e manipulada todo o tempo como se fosse uma só. Ing. twin rope.

corda simples.  Tipo de corda que deve ser usada como corda única, e o eventual rapel será feito com metade de seu comprimento. Ing. single rope.

corda única.  V. corda simples.

cordada em A.  Cordada que tem um líder que vai na frente com duas cordas presas a ele, e dois participantes o seguem atrás escalando simultaneamente. O líder deve ter prática de assegurar dois escaladores subindo ao mesmo tempo, o que exige treinamento, habilidade e técnica.

cordada.  Conjunto de escaladores numa escalada que estão ligados por uma ou mais cordas.

costura.  Ato de fazer a corda passar por dentro de um mosquetão que está por sua vez de alguma forma preso a uma ancoragem presa na rocha. Ing. clipping.

crux.  Palavra latina para o lance tecnicamente mais difícil de uma via. Ing. crux.

dar segurança.  Assegurar. Ing. to belay.

descedor.  Qualquer aparelho que funcione com atrito e seja usado para rapelar. Ing. descender.

diedro.  Tipo de lance de escalada em que há duas paredes de rocha em ângulo próximo a 90 graus. A técnica para escalar é usar as paredes a 90 graus fazendo oposição com os pés e as mãos ma contra a outra.

enfiada.  Esticão. Ing. pitch.

encordar(se-).  Prender, por meio de um nó específico, a corda de escalada ao bodriê. Ing. to tie-in.

escalada alpina. Escalada em montanhas que envolve escalada em gelo, em neve e até mesmo rocha. Envolve carregar uma mochila com muito equipamento, e as escaladas podem levar mais de um dia.

escalada livre.  Modo de escalar no qual o escalador sobe a via usando a força, a habilidade e o equilíbrio de seus pés, pernas e braços, mantendo-se na face da montanha por seus próprios meios. Todo o equipamento de segurança, cordas, bodriês, capacete, mosquetões, e outros são usados para contingência de uma eventual queda. A escalada livre pressupõe uma distância razoável entre as ancoragens, em média de 3 a 6m na rocha e distâncias maiores na neve ou gelo, durante cujo intervalo ele escalará com a possibilidade de cair uma distância pelo menos duas vezes maior do que a que subiu desde a última costura em uma ancoragem. Esse risco de queda significativa faz parte do conceito de escalada livre.

esticão. Enfiada. Um avanço completo do líder, abrindo a corda até que está chegue ao fim de seu comprimento ou o líder decida fazer uma parada antes disso em algum ponto, de onde dará segurança para seu parceiro. A distância e trajetória toda percorrida pelo líder até parar para chamar seu parceiro. Mesmo que enfiada. Ing. pitch.

fator de queda.  O resultado da divisão da altura da queda de um líder pela metragem de corda aberta. Como cada metro de corda resiste a uma determinada quantidade de energia, o que determina primordialmente a potência do impacto não é a altura da qual o líder cai, mas a relação entre altura de queda e metragem de corda aberta. Quanto maior o fator de queda, maior o impacto. O maior fator de queda possível teoricamente numa queda normal é 2 (dois), mas considera-se que 1,77 é o maior fator possível numa escalada real, devido aos diversos elementos de amortecimento existentes. Assim, ao referir-se a uma “queda fator‑2”, o autor pode estar se referindo ao valor de 1,77 como admitido pela UIAA. Ing. fall factor.

fissura.   Tipo de lance de escalada em que há uma fenda vertical na rocha, e o escalador evolui utilizando-se dessa fenda entalando os pés e as mãos ou em técnica semelhante a diedro dependendo da abertura da fenda para fora da pedra. Ing. crack.

fita de costura.  Fita. Uma confecção chata de nylon usada para estender uma costura numa ancoragem de modo a reduzir as curvas que a corda faz na evolução da escalada, assim reduzindo o atrito seco e ao mesmo aumentando o amortecimento em caso de queda do líder. Ing. runner.

gri-gri.  Dispositivo que possui uma trava unidirecional, i.e. quando preso a uma corda, ele pode deslizar em uma direção, mas bloqueia se empurrado na outra direção.

guia de cordada.  V. líder.

kihu.  Grito utilizado pelos escaladores para comunicação entre líder de cordada e seu parceiro, principalmente útil quando se encontram a grande distância ou em área de ruído (e.g. vento, chuva), quando a comunicação por fala se torna difícil ou inviável. Os sons das letras “i” e “u” tem a característica de se propagarem a grandes distâncias. Tem caído de uso á medida que a tradição esquecida.

lance.  Seção de uma via, normalmente referindo a uma passagem específica de curta distância, desde 1,0m até 5,0-7,0 metros. Os escaladores costumam dar nomes a lances que têm alguma característica específica, ou de dificuldade especialmente superior aos lances da via. O lance tecnicamente mais difícil de uma via chama-se crux, da palavra latina “cruz”, uma referência à crucificação de Jesus, sua sentença de morte preso a uma cruz por pinos enterrados em seus pulsos e nos pés. Não foi achada em inglês, foram adotados os verbetes sequence e route section.

liberar (a corda).  Soltar corda para seu parceiro de cordada.  Ing. release.

líder.  O escalador que vai na frente da cordada. Como normalmente a escalada segue numa trajetória para cima, é o guia de cordada que pode de fato cair com impacto, pois o participante que segue atrás escala a maior parte do tempo com a corda para cima, e portanto sua eventual queda vai apenas esticar a corda. Ing. leader.

nó-de-encordamento.  Nó que liga o escalador ao seu bodriê ou cadeirinha. Deve ser o primeiro nó a se aprender. Há vários nós que podem ser usados para esse fim. Consulte a páginas TÉCNICAS neste saite.

nó-de-emenda.  Nó para emendar duas cordas. Nem todo nó que é certo para emendar duas cordas é certo para emendar cordas de diâmetro significativamente desigual. Consulte a páginas TÉCNICAS neste saite.

nó-de-emergência.  Nó especialmente importante para situações de emergência, que demandam velocidade aliada a funcionalidade.

nó-de-bloqueio.  Nó que se aplica sobre uma corda para em caso de necessidade bloquear o movimento de um corpo qualquer em relação a essa corda. Consulte a páginas TÉCNICAS neste saite.

nó-de-tração.  Nó que possibilita tracionar uma outra corda ou outra parte da mesma corda presa a um ponto fixo. Consulte a páginas TÉCNICAS neste saite.

nó-de-segurança.  Nó que pode bloquear e desbloquear com facilidade o movimento de uma corda principal, e assim ser usado para substituir um aparelho de freio (e.g. ATC, OITO, MANHONE) indisponível.

oposição.  Tipo de lance no qual o escalador usa uma fenda vertical para encaixar as mãos e apóia seus pés na rocha em oposição às mãos. A oposição cria o atrito necessário para o escalador poder evoluir.

paredão de agarra.  Escalada caracterizada por uma face sólida de rocha, onde a ascenção é feita com a ajuda das irregularidades da rocha que proporcionam suporte para as mãos e pés do escalador. Ing. face wall.

rapel.  Método de descer uma encosta com um aparelho preso ao escalador e uma corda duplicada presa acima numa ancoragem. O aparelho funciona com atrito, se tensionado, ele freia a descida, se a tensão é aliviada, o escalador ganha velocidade. O truque é controlar a velocidade para não ser tão alta que ele perca o controla e nem tão baixa que demore demais para descer. Ing. abseil ou rappel.

rapelar.   A ação de descer uma montanha com a técnica do rapel. Ing. to abseil ou to rappel.

retesar (a corda).  Aplicar uma tensão na corda para alguma finalidade de segurança.

sapatilha.  V. bota.

segurança.  Quando referida como subtantivo, refere-se a assegurar, ou, como usado no Brasil, 'dar segurança' ao parceiro de cordada.

segurança de ombro.  Método de assegurar passando a corda por baixo do braço hábil, dando a volta pelas costas e saindo por cima do ombro oposto. Foi muito usada no Brasil até a década de 1980. Pode ser em alguns casos dolorosa. Ing. shoulder belay.

segurança de cintura.  Semelhante à segurança de ombro, porém passando a corda por trás dos quadris, criada como uma evolução da segurança de ombro. No Brasil não se popularizou. Ing. body belay.

solteira.  Cordelete ou fita, presa ao bodriê do escalador, com um mosquetão de rosca na outra extremidade, de cerca de 1,0m de comprimento, que o escalador usa quando vai parar em um ponto da escalada, prendendo-se com a sua “solteira” a uma ancoragem qualquer, tornando-se independente de asseguramento. Ing. PAS (personal anchor system).

tesoura.  Tipo de técnica de escalada no qual se sobe pela oposição das pernas uma em cada rocha em oposição uma a outra. A tesoura é necessária quando a distância entre as paredes ou acidentes do terreno é muito grande para se usar a técnica de opor as costas com os pés.

tirolesa.  Tipo de lance em que dois pontos altos são unidos por uma corda em balanço e os escaladores fazem a travessia pendurados nessa corda, normalmente com uma corda de segurança presa à corda da tirolesa.

UIAA.  Union Internale des Associacions d’Alpinisme. O certificador internacional de materiais e equipamentos de montanha, com sede na Suíça.